Pergunte ao Missionário
Suas Perguntas Respondidas por Missionários Experientes
- José Augusto, de Ribeirão Preto, pergunta:"Você continua mantendo um bom relacionamento com a igreja?"
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João Luiz responda:
Entendo que a pergunta refere-se à igreja enviadora do obreiro, ou seja, a que nos enviou ao campo há 26 anos atrás. Sim,. nosso relacionamento com a igreja da qual éramos membros à época do ingresso efetivo no ministério e, antes até, quando estávamos na fase de preparo, estudando no seminário, mantém-se desde então. Obviamente, este relacionamento é muito mais via comunicação à distância que a presença física com o grupo, devido a distância da expresão ministerial. Eu e minha esposa, Denise, nunca deixamos de ser, por parte da igreja, e de nossa parte, integrantes do grupo eclesiástico, igreja, que nos enviou ao ministério. na verdade, isso é imprtescindível aos missionários de campo distante ou próximo. Não é por haver quilômetros de distáncia, centenas ou milhares, que haja justificativas ou amparo bíblico para os obreiros manterem-se à parte de sua igreja e dos desafios, realidades e acompanhamento mútuos.
João Luiz Santiago, com mais de 25 anos de experiência, é representante da MEVA (Missão Evangélica da Amazônia) e chefe do departamento de missões do Seminário Bíblico Palavra da Vida
- Lidiane, de São José dos Campos, pergunta: "Até que ponto o missionário deve permanecer no campo quando seus filhos adolescentes não estão satisfeitos?"
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João Luiz responda:
Pergunta interessante, ainda que pressuponha, eventualmente, um problema mais sério de entendimento, ou melhor dizendo, de convencimento, por parte dos pais aos filhos sobre o que seja, verdadeiramente, a obra missionária. A insatisfação por parte dos filhos adolescentes sobre o ministério dos pais e a realidade do trabalho missionário talvez se deva a uma certa falta de cuidado ou zelo em passar aos filhos, desde mais tenra idade, sobre a natureza e importância deste trabalho. Conheci muitos filhos de obreiros, em especial muitos na fase de adolescência, que tinham um ponto de vista bastante interessante e positivo sobre as atividades dos seus pais na obra missionária.
Agora, se for o caso dos filhos estarem insatisfeitos, com provável até agravamento da percepção negativa da obra e dos pais, há que se envidar esforços por parte dos pais, especialmente, para identificar onde reside tal insatisfação e procurar dirimi-la da melhor maneira possível. Se esta insatisfação chegou as raias da rebeldia e forte desejo dos filhos, ou filho, em não mais estar com os pais, deve-se, em meu parecer, os pais ausentarem-se do campo ou região para melhor tratar do assunto. Dependendo do nível de insatisfação e das reais razões para tais, pode-se chegar a um consenso de, talvez, estudos ou continuidade de desenvolvimento dos filhos longe do campo missionário dos pais, ou em algum centro razoável. São adolescentes, precisam mesmo dar continuidade ao seu desenolvimento emocional, acadêmico e de vida, como um todo, e este não se dará somente no entorno dos pais, ou no campo missionário.
João Luiz Santiago, com mais de 25 anos de experiência, é representante da MEVA (Missão Evangélica da Amazônia) e chefe do departamento de missões do Seminário Bíblico Palavra da Vida
- André, de São Paulo, pergunta: "O que você acha sobre as igrejas que pedem relatório de tudo que o missionário compra? Até que ponto é bom?"
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Cassiano responda:
Olá André! Realmente não conheço muitas igrejas que chegam a esse grau de exigência. É importante que o missionário preste contas à igreja de suas atividades, e isso funciona melhor se feito de forma regular e sistemática. Por outro lado, espera-se que o envio pela igreja tenha se dado sobre bases sólidas de reconhecimento de chamado e caráter reconhecido e aprovado, portanto deve haver confiança em relação às decisões e a forma como o missionário administra seu tempo e seus recursos. Como qualquer outra pessoa, o missionário e sua família precisam ter liberdade de tomar suas próprias decisões no que diz respeito à vida pessoal e familiar, o que envolve também despesas pessoais.
Juntos, pelo Reino, Cassiano Luz
Cassiano Luz é missionário com SEPAL
- Stênio, de São Paulo, pergunta: "Como está a carência de tradutores da Bíblia?"
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Cassiano responda:
Olá Stênio! Alguns informações sobre esse tema: Há hoje 6,5 bilhões de pessoas no mundo falando 6900 línguas. Há 2200 línguas, faladas por 350 milhoes de pessoas, que não têm a Bíblia, e com necessidade de tradução ainda por começar. Apenas 1185 comunidades linguísticas têm acesso ao Novo Testamento na sua lingual do coração, e apenas 451 comunidades linguísticas têm acesso a toda a Bíblia na linguagem que eles entendem melhor No Brasil são 181 línguas. Apenas 3 delas possuem tradução completa da Bíblia, porém estas servem a 7 diferentes etnias. 32 línguas possuem o NT completo (servem a 36 etnias) e 23 possuem apenas porções bíblicas traduzidas (servem a 23 etnias). Temos 23 projetos de analise linguistica em andamento, e 31 projetos de tradução. Vários destes necessitam de novas pessoas para apoio ou prosseguimento do trabalho. Das 69 línguas sem a Bíblia traduzida, 10 apresentam clara necessidade de tradução. 48 etnias que poderiam utilizar a Bíblia em português, expressam necessidade de uma nova versão que lhes seja mais compreensível. Há também diversos projetos especiais de oralidade (como a Bíblia em audio) necessitando de pessoas capacitadas para executá-los.
Enfim, creio que um ponto importante a ressaltarmos no momento atual ao pensarmos em tradutores bíblicos, é que a carência não é apenas de pessoas que atuem no “modelo tradicional” (análise linguistica e tradução), porém que estejam atentos às demandas atuais, como o apoio aos projetos em andamento, e às decisões estratégicas que envolvem análise da vitalidade linguistica - será que determinada lingual ainda estará em uso ao final do tempo necessário para tradução? Será que um projeto de oralidade seria mais efetivo em determinado contexto? Etc.
Conte conosco se pudermos ajudar em alguma informação mais específica. Juntos, pelo Reino, Cassiano Luz
(Fontes: Wycliffe- www.wycliffe.org, e Banco de Dados do DAI-AMTB –www.indigena.org.br)
Cassiano Luz é missionário com SEPAL
- Lidiane de São José dos Campos pergunta: "É correto o missionário entre povos muçulmanos fazer uso do alcorão para comunicar o evangelho?"
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Vinícius responda:
Creio que o corão pode ser usado não como base ou sustentação da nossa pregação, mas como uma ponte para o compartilhar do evangelho. Em outras palavras, podemos usar temas que estão presentes no corão como paraíso, inferno, Abrahão, David, nascimento e vida de Jesus, para nos ajudar a iniciar conversas espirituais.
Vinícius, missionário trabalhando com povos muçulmanos.
- André de São Paulo pergunta: "Como lidar com a fé e a dependência com o levantamento de recurso, sem ser apelativo?"
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Vinícius responda:
Os extremos em tudo na vida é perigoso e na vida ministérial não é diferente. Na verdade o que algumas pessoas acham que é apelativo pode ser totalmente aceitável para outros, portanto é necessário que cada um busque em Deus o seu equilíbrio e a estratégia de como Deus quer que os recursos sejam levantados. Digo issso pois no final das contas que levanta os recursos não somos nós mas o Deus que nos chamou.
Vinícius, missionário trabalhando com povos muçulmanos.
- André, de São Paulo pergunta: "Quero cursar uma faculdade para servir no campo, penso em fazer em um contexto transcultural. Quais seriam os pontos negativos e positivos?"
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Não sei se compreendi muito bem sua pergunta. Você deseja buscar uma profissão para servir transculturalmente OU deseja estudar num outro país para ali atuar como evangelista enquanto for estudante? De qualquer forma, diria que, baseada em minha formação educacional, experiência profissional e ter tido seis anos de ministério num contexto (árabe) muçulmano, seria melhor entrar naquele pais para estudar algo numa UNIVERSIDADE (língua local, história, etc.. .algo que não chame atenção). Isto resolveria problemas de visto, mas não lhe permitiria trabalhar. A melhor forma, a meu vir, seria entrar para SERVIR a comunidade local de alguma forma: projetos sociais já em andamento, ajuda humanitária (refugiados – havia muitos no país em que vivi), projetos educacionais, ensino. SIRVA a comunidade local
Cuidados: cuidado par não atrelar sua vida profissional a uma carreira que lhe será útil apenas por alguns anos. Pense, SEMPRE, no depois, na possibilidade de não permanecer mais de alguns anos ali. O que fará depois, qual será seu ganha-pão? Vou poder vivier no Brasil com essa profissão que escolhi? Melhor ORAR bem antes de decidir, PREPARAR-SE a contento para os estudos,ouvir pessoas MADURAS NA FÉ (mais de 30 anos de fé cristã, de forma consistente, não necessariamente pastores)e orar para Deus pelo Seu Espírito falar através de seus pais ou responsáveis. Acima de tudo, questione-se em oração : por que estou fazendo isso? O que está me movendo a fazê-lo? Quais são minhas motivações ocultas.
Estudantes brasileiros que vão para Europa (Espanha) para cursos de nível de pós-graduação têm que se dedicar muito a seus estudos e dar prova de capacidade intelectual e rendimento acadêmico. E um dia terão que se formar... Agora, cuidado para não querer estudar medicina num país muito pobre quando todos os alunos dali estão indo para a Europa estudar medicina, pois a comunidade local poderá suspeitar de atividades subversivas de sua parte (“_Por que será que essa pessoa veio estudar aqui neste país?”).
Espero ter contribuído para sua reflexão. Estarei orando pro você.
Ana Luiza Mello, Missionária no Oriente Médio
- Lidiane, de São José dos Campos, pergunta: "Quais são as vantagens e desvantagens para um missionário fazedor de tendas num contexto de perseguição?"
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Ana Luiza responda:
Baseada em minha formação (de estudo e profissional) e experiência no campo missionário árabe e muçulmano por seis anos, o mais importante aspecto na entrada naquela cultura é adquirir rapidamente uma identidade social, o que significa que você deve poder identificar-se como detentora de uma profissão. Isto não é necessário para missionárias mulheres que são casadas – pois cuidar da casa e do marido já é entendido na maioria das culturas como uma identidade social, ainda mais se tiver filhos. Porém esta identidade social é fundamental para missionários homens, casados ou não, e para mulheres solteiras as quais, se não tiverem uma identidade social associada a uma atividade produtiva, serão vistas como em busca de um casamento local – e assim competindo com as outras mulheres locais – e/ou como mulheres de reputação duvidosa. Por causa desta necessidade de identidade social de atividade produtiva, adentrar num país de maioria não cristã, aberto porém resistente ao Evangelho (como foi minha experiência) – ou até mesmo num contexto de um país fechado ou semi-fechado ao Evangelho com uma profissão secular é uma estratégia válida.
Porém, “fazer tendas” não é a vaca sagrada de missões, pois a maioria dos fazedores de tenda dedica apenas uma [muito] pequena parte de seu tempo a evangelizar. Pois, quer ela ou ele queira ou não, tem que demonstrar seriedade e ética profissional do Reino de Deus – o que às vezes é contra-cultural em relação aos padrões ou ética de trabalho locais. É fácil e cômodo resolver o problema para se entrar numa cultura resistente ou fechada a partir de discussões na sala de aula, mencionando ir como” fazedor de tendas”. Mas as implicações missiológicas dessa estratégia ainda estão sendo questionadas, pois faz-se muito para o Reino mas proclama-se pouco o Reino. E de pouco vale dizer que a conduta moral e profissional de um obreiro ou obreira irá falar por si mesmo, pois se não houver uma intencionalidade de se separar tempo, preparação de discussões e muito estudo para compartilhar com outros, o Evangelho não será pregado efetivamente. A obreira ou obreiro vai viver muito tempo ali naquele contexto com baixíssimo impacto evangelístico, embora possa a vir ater boa inserção social, cultural e até lingüístico. Ademais, há as implicações éticas associadas ao fato de uma pessoa se identificar como “profissional” quando na verdade ela ou ele estão ali com intenções outras. Isto é muito discutido ainda hoje no meio missionário. Creio que a resposta está uma identidade social de serviço à comunidade(s) local(ais) – como ensino, ajuda humanitária, médica - ASSOCIADO com a pregação do Evangelho. Contra isso, é mais difícil permanecer pouco tempo. Entretanto, ainda que com uma identidade profissional obreiros e obreiras podem ser expulsos de países onde servem. Finalmente, fazer tendas foi uma estratégia limitada no tempo para Paulo, não um estilo de vida, pois maiores responsabilidades ministeriais inviabilizam o trabalho secular concomitantemente. E de que adianta entrar num país como “fazedor de tendas” se a igreja Cristã li já está estabelecida e é ativa na proclamação do Evangelho a não cristãos? Será que a profissão escolhida não leva o obreiro a áreas já evangelizadas e com igrejas atuantes e ativas? Isso já ocorre hoje em dia, lamentavelmente...
Lidiane, estarei orando pro você, para que o Espírito de Cristoa dirija em suas escolhas.
Ana Luiza Mello, Missionária no Oriente Médio
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