"Não é tolo aquele que dá o que não pode guardar para ganhar o que não pode perder."
~Jim Elliot, Missionário martirizado peles índios Aucas
Descobrindo o seu papel na Evangelização Mundial
Marcelo — Mon, 12/15/2008 - 22:16
Descobrindo o seu papel na Evangelização Mundial – Por Todd Ahrend
Encrustada nas mentes de muitos cristãos está a idéia de que estar envolvido no trabalho missionário significa somente uma coisa: viver por muitos anos fora do país. Esta é uma maneira pouco sadia de se abordar missões porque ela exclui a maioria das pessoas. Mesmo aqueles que vão em missões por um longo tempo eventualmente voltarão ao lar e precisarão readaptar seu foco. Se é um atributo de Deus desejar a redenção de todas as nações, então ele precisa ser cultivado dentro de cada um de Seus seguidores como um atributo. Eis porque é vital para a Igreja que outras formas de envolvimento missionário sejam exploradas. Os cinco hábitos seguintes não devem ser vistos nos termos de “qual é para mim?”. A idéia é que a pessoa que prioriza o plano global de Deus cultivará todos ou a maioria deles.
Os principais hábitos são:
- Ir
- Orar
- Enviar
- Receber
- Mobilizar
IR: Este hábito é mais comumente associado com missões. No passado e mesmo ainda hoje, quando alguém pensa em missões, esta é a associação mais natural. Uma definição daquele que vai é que é uma pessoa presente fisicamente, trabalhando no campo missionário. Ir pode significar uma viagem de surto prazo ou um prazo maior de tempo. Finalmente, aquele que vai deseja se imergir completamente numa cultura estranha com a intenção de propagar o evangelho nela. São inovadores, necessitam de pouca ajuda, estáveis, e perseveram com pouca comunhão. Em Ex 3:7-10, Deus menciona nove diferentes vezes a Moisés que Ele está preocupado com os israelitas e sua condição como escravos e que está se preparando para levá-los à terra prometida. Durante Seu discurso, Deus faz uma referência a Moisés. Veja a reação de Moisés: “Então disse Moisés a Deus: Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?” (Ex 3:11). Soa como nós algumas vezes, não é mesmo? Nossa tentação é focalizar em nós mesmos e nossa insuficiência! Pensamos que Deus nunca vai nos querer envolvidos e muitos de nós nuca experimentarão as bênçãos da participação. Veja a reação de Deus. Ele volta o foco a Si mesmo no verso seguinte: “Eu serei contigo.” (Ex 3:12). Antes de Robert Morrison partir para ser o primeiro tradutor da Bíblia na China, alguém perguntou se ele realmente pensava que poderia mudar os problemas de 2000 anos de idolatria na China; sua resposta: “Não, eu não posso, mas espero que Deus possa.”.
Conforme você começar a considerar ir a uma viagem de curto prazo, será natural para você olhar para suas habilidades (ou deficiências) e se sentir desencorajado. É neste ponto que você precisa ser lembrado que “Deus escolheu as cousas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as cousas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as cousas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1 Cor 1:27-29). À luz dessa verdade, todos nós somos superqualificados!
ORAR: Se você fosse pedir que Jesus lhe ensinasse algo, o que seria? Pessoalmente, eu gostaria de aprender como ele multiplicou pão para alimentar aqueles 5000! Você é capaz de imaginar? Bem, em todas as Escrituras, vemos só uma vez os discípulos de Jesus lhe pedindo para ensinar-lhes algo. O pedido: “Senhor, ensina-nos a orar” (Lc 11:1). Não é interessante que depois de conhecer e viver com Jesus, seu desejo foi padronizar sua vida de oração? Talvez depois de segui-lo por aí por alguns anos eles perceberam que quando Jesus orava, as coisas aconteciam. Atente para a resposta de Cristo: “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o Teu reino, faça-se a Tua vontade, assim na terra como no céu...” (Mt 6:9-10). Jesus estava dizendo que quando você ora, você deve pedir que Deus traga a atividade do céu para a terra. Em outras palavras, orar para o que está acontecendo lá em cima aconteça aqui em baixo. Bem, o que está acontecendo no céu? Neste exato momento no céu, todos os olhos estão em Jesus, como se um culto multicultural estivesse sendo prestado. Parece com sua igreja? È dessa forma que Jesus ensinou a Seus discípulos a orar.
Outra passagem que nos desafia a orar pelo mundo é encontrado em Mt 9:36-38: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. E então se dirigiu a seus discípulos: A seara na verdade é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois ao Senhor da seara que mande trabalhadores para sua seara.” Jesus viu a vastidão de almas perdidas comparada com a escassez de trabalhadores, então ele olha para os discípulos e diz: “Rogai”. Que imagem forte! Não ir, ou pregar, ou fazer uma conferência, mas pedir. É duro ler esta passagem e não ser acusado pela sua vida de oração. Vamos avaliar nossas próprias vidas de oração e ver se vamos a Deus com nossos desejos ou se estamos interessados nos Dele. Obviamente, precisamos orar por nós mesmos e sim, precisamos levantar nossas famílias e amigos em oração, mas Deus também deseja que nos unamos e intercedamos em favor de todas as nações e Lhe supliquemos que envie trabalhadores para o campo.
ENVIAR: O apóstolo Paulo fez uma observação interessante: “E como pregarão se não forem enviados?” (Rm 10:15). Os não alcançados não têm uma chance de ouvir o evangelho se não existem pessoas em casa apoiando financeiramente e orando por aqueles que estão indo. É como fazer a pergunta: “O que é mais importante, o salvador que desce no poço para salvar a vida ou o homem no topo segurando a corda?” Você não pode ter um sem o outro. Havia um princípio na guerra israelita: “Porque, qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais.” (1 Sm 30:24-25). Por que? Porque eles são igualmente importantes no exército de Deus.
Em nossa cultura, pensamos que temos o direito de viver num padrão de vida compatível com nossa renda. Nosso raciocínio é que desde que alguém ganha R$ 5000 por mês, ele deveria ter um padrão de R$ 5000 por mês. Quando essa pessoa ganha um aumento, seu padrão de vida também ganha um aumento! Mas o Cristão Global deveria ter um modo de pensar diferente. Talvez quando um cristão ganha um aumento ou recebe algum rendimento extra, Deus tenciona que essa pessoa use esses recursos para mais alguém! Esse pensamento é tão contrário à nossa cultura!
O papel de quem envia não é somente integral, mas também diverso. O aspecto mais óbvio de envio é o ato de contribuir financeiramente para sustentar um missionário. Mas esta não é certamente a única faceta do envio. Uma pessoa que envia pode atuar em uma ou todas estas áreas especializadas: logística, coordenação de intercessores, comunicações, pesquisa, finanças, ou coordenador de reentrada. Um especialista em logística lida com a parte prática do envio. Eles lidam com o empacotamento dos bens dos missionários, planos de viagem, custos e aquisição de itens necessários para o campo. O coordenador de intercessão pode encontrar necessidades específicas baseadas em pesquisas, missionários no campo e sociedades missionárias. Ele também é necessário para alistar outros numa oração intercessora pela equipe missionária e organizar encontros especiais de oração. Para que as necessidades de oração sejam conhecidas, um especialista em comunicações é grandemente necessário. É de sua responsabilidade abrir as linhas de comunicação para a equipe de forma que as necessidades de oração, equipamentos e outras necessidades sejam conhecidas. O papel do que envia não é glamoroso nem fácil. A tarefa de lidar com o dia-a-dia, nos bastidores do trabalho missionário parece até mesmo sem reconhecimento, mas não ficará sem recompensa.
Para muitos este é um hábito difícil, porque nos nossos dias a situação financeira parece tão difícil para todos! Mas o ponto não é a quantia do que está sendo dado. O ponto é que está sendo cultivado um hábito de sacrifício.
RECEBER: Os EUA abrigam o maior número de estrangeiros e o mundo está às nossas portas! Mais de 650000 estudantes e estudiosos internacionais estudam nos EUA de 180 diferentes paises do mundo. Que oportunidade perfeita de estender a graça e o amor de Deus para o mundo! E você nem precisa partir.
Deus ama o estrangeiro. Mais de 40 vezes somente no AT recebemos a ordem de cuidar do estrangeiro em nossa terra,
“Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.” (Lv 19:34)
“que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e vestes. Amai, pois, o estrangeiro, porque fostes estrangeiros na terra do Egito.” (Dt 10:18,19)
Deus lembra os israelitas de seu exílio passado no Egito, para motivá-los a amarem os estrangeiros, pois eles mesmos foram uma vez estrangeiros. Semelhantemente, devemos ser lembrados de nosso passado, de como éramos estrangeiros para Deus, que mesmo assim se compadeceu de nós.
Tristemente, apesar desse ministério estar tão disponível para estudantes universitários, ele está sendo gravemente ignorado. Você sabia que 80% dos estudantes estrangeiros no seu campus nunca serão convidados a visitar uma casa norte-americana? Eles vêm estudar com grandes esperanças, mas logo eles percebem que a hospitalidade a que eles estavam acostumados é tão estrangeira para os EUA como eles são. Assim eles vivem em sua comunidade isolada com seus companheiros estrangeiros e eventualmente retornam para sua terra natal. Eu imagino o que eles dizem aos seus amigos a respeito desta renomada nação cristã.
Qualquer um pode ser hospitaleiro. Tudo o que se necessita é de um pouco de tempo, energia e uma disposição para se dizer “olá”. Não há razão para que cristãos no campus não tenham pelo menos 2 ou 3 amigos estrangeiros por semestre. Você pode imaginar como o Evangelho se espalharia se isso fosse uma realidade? Na faculdade onde trabalhei, havia 80 estudantes da Arábia Saudita perambulando pelo Centro Estudantil. Posso me lembrar da primeira vez que peguei dois rapazes de meu estudo Bíblico para se encontrarem e conhecê-los. Depois de algumas semanas em que estivemos simplesmente dizendo “olá” e estando disponíveis, nos tornamos parte do grupo. Compartilhamos o Evangelho com aproximadamente 10 deles no ano seguinte. É impressionante pensar nas dificuldades que eu iria enfrentar se fosse para a Arábia Saudita e tentasse a mesma coisa! Aqui ainda temos liberdade completa para compartilharmos o evangelho com os Povos Não-Alcançados de uma forma diferente!
A necessidade por pessoas que recebem é grande. Use sua criatividade para descobrir idéias de como demonstrar amor aos estrangeiros entre vocês. Um passo inicial simples é iniciar uma conversa com um estrangeiro no seu campus. Há milhares de perguntas que você pode fazer para conhecê-los.
- De onde você é?
- Você gostou da comida daqui?
- Você está gostando daqui?
- O inglês é mais difícil do que você pensava?
- Como o nosso país é diferente do seu?
- Você está conseguindo se virar por aí?
- Podemos ajudá-lo em algo?
Você pode procurar por um grupo específico deles para ministrar. Eis algumas formas de servi-los:
- Faça algum trabalho externo para eles ou leve-os para fazer
- Convide-os para passar os feriados com você.
- Pratique inglês com eles.
- Convide-os para o Estudo Bíblico.
- Convide-os simplesmente para sair por aí com você ou com seus amigos.
Aquele que recebe está com o desejo de servi-los e alcançá-los na esperança de que Cristo será glorificado. Eles verão como é fácil se envolver e logo estarão amando os estrangeiros e este ministério estratégico.
Mobilizar: Um mobilizador é um cristão comum que anda com o Senhor no seu dia-a-dia, mas ainda tem uma perspectiva global e fica em casa para levantar outros para a ação. Qualquer um que tenha uma visão para o mundo foi alguma vez mobilizado. Seja através de alguém que o tenha convidado para uma viagem missionária de curto prazo, ou para uma conferência missionária, ou o levou a um estudo bíblico sobre o assunto ou o apresentou a um missionário; de alguma forma ele ou ela foi recrutado (a). Resumindo, um mobilizador pode ser considerado um recrutador. Mobilizadores estão procurando por outros para colocá-los na agenda de Deus pelo resto de suas vidas. Seu alvo são cristãos que desconhecem o plano global de Deus e consistentemente procuram aumentar a consciência missionária de forma criativa, seja um grupo pequeno ou grande. Como Habacuque, eles escreveram “visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo”(Hc 2:2).
Um amigo meu tem um ditado que eu adotei: “Cada cristão um cristão global e cada cristão global um mobilizador”. Pense a respeito do potencial impressionante nesta afirmação. Cada cristão está orquestrando sua vida ao redor do coração de Deus pelas nações, completando a Grande Comissão e ao mesmo tempo passando adiante essa visão aos novos crentes e à próxima geração. Inacreditável!
Então, quais são as características de um mobilizador? Bill Stearns e Bob Sjogren listam 10:
- Deseja estar pronto para ser um servo;
- Deseja ver obreiros levantados para terminarem a tarefa da evangelização mundial;
- possivelmente tenha o bom de encorajamento e exortação;
- É “apto para ensinar”, mas pode ser mais eficiente recrutando outros para ensinar;
- Fala em frente de grupos sem (muito) medo;
- Lidera bem outros;
- Tem o coração pelas nações, possivelmente focado em grupos;
- Enxerga a prioridade de esperar e mobilizar outros tão importante quanto ir;
- É parcialmente visionário – vendo o que pode acontecer conforme Deus capacita crentes com oportunidades-chave de ministério;
- É parcialmente implementador – é levado a ver uma visão se tornar realidade.
Seja simplesmente o livro certo sobre missões, ou um vídeo curto, revista, agência, pedido de oração, etc., você precisa estar pronto para mostrar outros recursos. Posso me lembrar de quando estava na faculdade reunindo minha coleção de ferramentas. Eu coloquei uma etiqueta numa pasta com o nome “Recursos de Mobilização”. Hoje eles já enchem dois armários! Estar bem equipado é ima característica de quem lida com redes de contato. Você precisará saber o que Deus está fazendo e com que está fazendo. Eu desafio a qualquer um que esteja tentando cultivar suas aptidões como mobilizador a ajudar outros a coletar e aprender como usar os recursos e material disponível em missões. E conforme eles vão colecionando e aprendendo este material, estão criando uma confiança que os capacitará a ensinar outros.
O mobilizador é uma peça chave no processo de levantar obreiros. É necessário um coração ardendo pelas nações e ainda um desejo de ficar. Isto acontece com cada cristão global e cada cristão global pode fazê-lo!
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